30/07/2007

síndrome de Gabriela

Lembra aquela música "Eu nasci assim, eu cresci assim e sou mesmo assim, vou ser sempre assim: Gabriela"? Então, essa compulsão a repetição dos vínculos afetivos está retratada no filme "Medos Privados em Lugares Públicos". O filme é enfadonho! Nas últimas cenas até dei uns cochilos... Olhei ao lado e a platéia estava, no geral, amontoada nas poltronas do cinema. Foram duas horas de longa tortura presenciando a mesma trama vivida pelos personagens, que trocavam de parceria, sem alterar a forma das relações. Interlocutores pareciam roupas, que se trocam sem alterar o corpo. Alí no cinema, perdi duas horas e R$14,00 da entrada. Mas o chocolate quente, servido no café do cinema, estava ótimo!
O filme retrata, de maneira fiel, o aprisionamento psíquico dos personagens da trama, assim como a ausência de comunicação dos elementos conflitivos que surgem do contato entre os envolvidos. Não há comunicação efetiva, há esbarrões entre os personagens. Seria uma comédia da vida privada se não fosse tão triste... Termina como começou: muito discurso pra pouca fala. Como o filme não aponta nenhuma saída, depois de uma hora e tanto eu estava era com muito sono... Muito refém pra pouco crime. Mas... fidedigno.

Um comentário:

gentil disse...

Elaine
"Sindrome de Gabriela"!

Bom, se o filme apresenta um “aprisionamento psíquico”, como você diz, que é verdade – mais que era também o propósito do filme–, fica a pergunta: como sair desse aprisionamento após ver o filme ou qualquer outra arte...? O que você acha? Eu digo que vi o filme e, até agora, não consigo sair desse imbróglio todo!
Mais, ainda:
Se a arte indica o caminho e os indivíduos seguirem? Não cairíamos no mesmo blá-blá-blá da auto-ajuda (sic)?
Vejo que de fato o filme não potencializa o individuo, não o faz abrir novos buracos para escapar do “aprisionamento”.
A você, confio a minha decisão, o caminho a segui!