Minha vida é movimento. Feito uma pauta musical com linhas e espaços... espaço é necessários para que haja linha. Diariamente as notas surgem nas linhas e nos espaços, no acorde que vivo.
Vez por outra, faço uso de linhas ou espaços suplementares... As cinco linhas e os quatro espaços não podem acomodar todas as notas que sinto.
Vim com uma clave de sol e uma de fá na alma, mas sou mais afeita às notas mais agudas. Sempre aposto que seja esta a melhor parceria para compor a música da vida: clave de Sol e clave de Fá, com o Dó no meio. O Dó no meio me lembra que um tanto de compaixão é necessária para uma composição mais fidedigna da vida. Com mais sentido: sentido de direção, sentido vindo dos órgãos criando a direção, o sentido pra onde a vida caminha.
12/12/11
10/12/11
Aonde você mora?
Desde pequenos nosso convívio social nos é imposto; quando criança não escolhemos a família com a qual convivemos, nem a escola, nem a vizinhança... Na melhor das hipóteses, são anos a fio de tentativa de selecionar quem desse rol de fato nos importa, nos acrescenta, nos instiga. Mas aí... quando crescemos e podemos escolher, por exemplo, trabalhar num ambiente no qual os afetos sejam menos discrepantes, a cultura das organizações continua entendendo que os afetos são danosos e estimulam a política de "desafetação" preferindo não contratar amigos ou parceiros afetivos para trabalharem juntos.
No entanto, uma vez descoberto e habitado o mundo possível de relações colaborativas, fraternas e construtivas, não é mais possível engolir a imposição de convívio da infância... Atravessa-se uma fronteira e descobre-se que é possível a construção de espaços "sustentáveis" no mundo, porque muito se fala de sustentabilidade atualmente, mas pouco foco vejo nos projetos de sustentabilidade das relações próximas, com questões da ordem: constituo uma família sustentável, desenvolvo trabalho em ambiente sustentável, construo relações fraternas sustentáveis?
As coisas que me chamam atenção são muito miúdas... Facilmente classificáveis como "frescura" ou "viajantes" como ouvi há alguns dias de uma profissional da área psi, mas muito mais frequentes em ideologias pragmáticas, nas quais a construção relacional pouco valia recebe. Creio que relações sustentáveis ocorram quando os interlocutores partilham da observância desses "detalhes" de discurso e prática, não para concordarem entre si, mas para legitimar a presença viva de cada um na troca. Desqualificar os detalhes, desconsiderar as miudezas, desmerecer as sutis expressões do "sujeito do inconsciente" em meio ao formato egoico (EU SOU...) de cada um, é endossar práticas não sustentáveis dentro das relações.
E nesse mundo pasteurizado de EUs prontos, modo de Ser previsível, com falas obvias e compreensões vulgares, não cabe a intimidade. Esse inevitável mundo plastificado, é o mundo público, não o privado! E é aí que mora a escolha: que mundo quero como meu? em qual mundo aloco meu "eu" para morar com maior frequência? Há quem prefira o público... há quem prefira o privado...
E assim... vamos construindo mudanças necessárias.... e permanentes.
No entanto, uma vez descoberto e habitado o mundo possível de relações colaborativas, fraternas e construtivas, não é mais possível engolir a imposição de convívio da infância... Atravessa-se uma fronteira e descobre-se que é possível a construção de espaços "sustentáveis" no mundo, porque muito se fala de sustentabilidade atualmente, mas pouco foco vejo nos projetos de sustentabilidade das relações próximas, com questões da ordem: constituo uma família sustentável, desenvolvo trabalho em ambiente sustentável, construo relações fraternas sustentáveis?
As coisas que me chamam atenção são muito miúdas... Facilmente classificáveis como "frescura" ou "viajantes" como ouvi há alguns dias de uma profissional da área psi, mas muito mais frequentes em ideologias pragmáticas, nas quais a construção relacional pouco valia recebe. Creio que relações sustentáveis ocorram quando os interlocutores partilham da observância desses "detalhes" de discurso e prática, não para concordarem entre si, mas para legitimar a presença viva de cada um na troca. Desqualificar os detalhes, desconsiderar as miudezas, desmerecer as sutis expressões do "sujeito do inconsciente" em meio ao formato egoico (EU SOU...) de cada um, é endossar práticas não sustentáveis dentro das relações.
E nesse mundo pasteurizado de EUs prontos, modo de Ser previsível, com falas obvias e compreensões vulgares, não cabe a intimidade. Esse inevitável mundo plastificado, é o mundo público, não o privado! E é aí que mora a escolha: que mundo quero como meu? em qual mundo aloco meu "eu" para morar com maior frequência? Há quem prefira o público... há quem prefira o privado...
E assim... vamos construindo mudanças necessárias.... e permanentes.
14/11/11
O im(?)possível COM:
(elemento que significa ligação, simultaneidade, perfeição, intensidade)
Con-viver
Con-versa
Con-tato
Com-paixão
com-bater
com-binar
com-memorar
com-mover
com-parar
com-parsa
com-partilhar
com-passo
com-penetrar
com-pensar
com-placência
com-pressa
com-prometer
com-um
com-unicação
con-ceder
con-centrar
con-certar
con-sertar
con-cordar...
Con-corda?
09/01/11
EDénico
Eram orgulhosos das próprias defesas que os afastavam do mundo sensível.
Encontram-se à tempo de Editar as cenas do filme antigo.
Mudança de sequência que altera o enredo.
Enredaram-se, por-tanto...
Encontram-se à tempo de Editar as cenas do filme antigo.
Mudança de sequência que altera o enredo.
Enredaram-se, por-tanto...
24/09/10
excerto
Eles jogaram o bebê fora e cultivaram a placenta, sob a esperança de que dela surgisse algo.... desconheciam que o movimento que havia nela, era o deles.
Mas uma placenta sem bebê, sem vida, não tem sentido.
Foi para o lixo depois de alguns dias.
Mas uma placenta sem bebê, sem vida, não tem sentido.
Foi para o lixo depois de alguns dias.
Não!
por Marcio Zurga e Elaine
Não me pese!
calibre de carne ou moral
Não me meça!
conforme seu teatro
Não me avalie!
parâmetros arbitrários
Não me pise!
Não pose!
Não me pese!
calibre de carne ou moral
Não me meça!
conforme seu teatro
Não me avalie!
parâmetros arbitrários
Não me pise!
Não pose!
24/08/10
outra história
Nada
adiante
Nada
adianta
Perdi
o rastro
Inundada
de divagar
Proposta
de vagar
Final direto
Ponto.
adiante
Nada
adianta
Perdi
o rastro
Inundada
Era
Você
Acusada Você
de divagar
Proposta
de vagar
Final direto
Ponto.
01/06/10
13/04/10
:
Criamos uma instituição, à moda do "Projeto Cocoon", que se chama:
Estamos promovendo um encontro: http://www.espelhodemedusa.blogspot.com/
Vai ser bem bom!!!
casa de IDéias
Estamos promovendo um encontro: http://www.espelhodemedusa.blogspot.com/
Vai ser bem bom!!!
09/04/10
lugar
na prática
a ética
é plástica
que volve situa
envolve atua
deprime afirma
confirma
um pórtico
não pático
nem plástico
que quebra
craquela
resseca.
desmonta
um algo
em guarda.
a ética
é plástica
que volve situa
envolve atua
deprime afirma
confirma
um pórtico
não pático
nem plástico
que quebra
craquela
resseca.
desmonta
um algo
em guarda.
Uma Pedra - Yves Bonnefoy

Tenho sempre fome desse
Lugar que nos foi espelho,
Das frutas curvadas dentro
De sua água, luz que salva
E gravarei sobre a pedra
Lembrança de que brilhou
Um círculo, fogo ermo.
Lembrança de que brilhou
Um círculo, fogo ermo.
Acima é rápido o céu
Como ao voto a pedra é fechada.
Que buscávamos? Talvez
Nada, a paixão só é sonho.
Nada pedem suas mãos.
Que buscávamos? Talvez
Nada, a paixão só é sonho.
Nada pedem suas mãos.
E de quem amou uma imagem,
Por mais que o olhar deseje,
Fica a voz sempre partida,
É a palavra toda cinzas.
Por mais que o olhar deseje,
Fica a voz sempre partida,
É a palavra toda cinzas.
08/04/10
EU
Redator de algo em mim, editor de coisas minhas.
Confessa ou nega o que passa em mim.
Permite e impede tudo que representa vida.
EU impotente; EU unipresente. EU reticente...
Eu quase sempre estou, as vezes Sou.
01/04/10
...
Se a boca fala
e a língua cala
um zelo não se entalha
no cerne da malha
O corpo empalha
e a alma encalha
no fio da navalha.
e a língua cala
um zelo não se entalha
no cerne da malha
O corpo empalha
e a alma encalha
no fio da navalha.
29/03/10
!

FALA-ME
De um ângulo antes nunca posto
IMPRESSA-ME
No corpo o alento do seu gosto
CONDUZA-ME
Ao segredo que sob seu manto
TRADUZ-ME
Em algo que sem ti
Não Encontro
De um ângulo antes nunca posto
IMPRESSA-ME
No corpo o alento do seu gosto
CONDUZA-ME
Ao segredo que sob seu manto
TRADUZ-ME
Em algo que sem ti
Não Encontro
12/03/10
O ÁUGURE
(por Hélio Pellegrino)
Sou um prisma
às avessas
as cores em mim
se confundem
sou um tapete de ecos
uma cachoeira de gritos
uma cordoalha de muitos tempos
A esfera de lantejoulas
- passado presente futuro -
roda refletindo mil sóis
Sou essa colméia de incêndios
essa assembléia de sinais
esse rumor insone
Sou um prisma
às avessas
as cores em mim
se confundem
sou um tapete de ecos
uma cachoeira de gritos
uma cordoalha de muitos tempos
A esfera de lantejoulas
- passado presente futuro -
roda refletindo mil sóis
Sou essa colméia de incêndios
essa assembléia de sinais
esse rumor insone
05/03/10
CERTA SETA
(a 4 mãos: por Elaine e Fábio Brazil)
Caminhei
não sei ao certo por onde
e certo não sabia
chegar aqui.
Incerto saber se saí.
Na certa caminhei...
Desconheço-me nos mitos antigos
e estou certa de encontrar
a mim mais próxima do início.
Paro um instante :
é certeza encontrar um veio de estrada
no meio da selva.
Seta certa. Sigo meu rumo.
Cega à frente das certezas.
Arco de dúvidas
certa-mente.
Caminhei
não sei ao certo por onde
e certo não sabia
chegar aqui.
Incerto saber se saí.
Na certa caminhei...
Desconheço-me nos mitos antigos
e estou certa de encontrar
a mim mais próxima do início.
Paro um instante :
é certeza encontrar um veio de estrada
no meio da selva.
Seta certa. Sigo meu rumo.
Cega à frente das certezas.
Arco de dúvidas
certa-mente.
03/03/10
25/02/10
Deus me livre dos Verdadeiros!
Existe gente mais engenhosa que os ditos "Verdadeiros"? Profissionais nada liberais que se coadunam numa só pessoa:
São autênticos performáticos de suas "verdades" tão queridas, desenvolvem o enredo e convocam qual-quer outro (não um outro qualquer) para participar como coadjuvante de seu próprio melodrama;
São cenógrafos experientes que arranjam o cenário Ideal para desenvolverem sua cena;
São soldados camuflados pela guerra em que vivem;
São gerenciadores perspicazes da conduta do outro, agindo sob a falta de conhecimento do que motiva as próprias ações.
Não choram, não pedem desculpas, não se enganam, não se atolam, não se enroscam: a cena pra ser vivida está sempre pronta e caem numa repetição sem fim;
Exigem lealdade, cumplicidade, disponibilidade e tolerância que não entregam como devolutiva;
Agarram-se em relações superficiais e tecem uma malha relacional esgarçada, uma vez que sustenta o peso da Verdade que carregam;
As histórias de vida dos outros viram objeto bélico em suas mãos.
Verdadeiros jamais são honestos, nunca estão onde sinalizaram estar.
Amam um roteiro a ser seguido, invariavelmente.
O outro? o outro é só papel...
São autênticos performáticos de suas "verdades" tão queridas, desenvolvem o enredo e convocam qual-quer outro (não um outro qualquer) para participar como coadjuvante de seu próprio melodrama;
São cenógrafos experientes que arranjam o cenário Ideal para desenvolverem sua cena;
São soldados camuflados pela guerra em que vivem;
São gerenciadores perspicazes da conduta do outro, agindo sob a falta de conhecimento do que motiva as próprias ações.
Não choram, não pedem desculpas, não se enganam, não se atolam, não se enroscam: a cena pra ser vivida está sempre pronta e caem numa repetição sem fim;
Exigem lealdade, cumplicidade, disponibilidade e tolerância que não entregam como devolutiva;
Agarram-se em relações superficiais e tecem uma malha relacional esgarçada, uma vez que sustenta o peso da Verdade que carregam;
As histórias de vida dos outros viram objeto bélico em suas mãos.
Verdadeiros jamais são honestos, nunca estão onde sinalizaram estar.
Amam um roteiro a ser seguido, invariavelmente.
O outro? o outro é só papel...
24/01/10
citação de um outro
Isso não é meu...
"Que outra palavra?
que outra?
me conta se você sabe.
me diz, confessa, me protege se existe outra coisa!
como é bom não entrar sozinho nisso,
como é bom não estar sozinho na solidão...
estou sendo vago,
estou sendo o que seria em silêncio sobre teu corpo,
mas o que seria se não fosse o amor?
mesmo antes de mim e mesmo antes de você.
você me encontra
eu fico um segundo em paz.
Que o nome seja dado , com dor ou não."
"Que outra palavra?
que outra?
me conta se você sabe.
me diz, confessa, me protege se existe outra coisa!
como é bom não entrar sozinho nisso,
como é bom não estar sozinho na solidão...
estou sendo vago,
estou sendo o que seria em silêncio sobre teu corpo,
mas o que seria se não fosse o amor?
mesmo antes de mim e mesmo antes de você.
você me encontra
eu fico um segundo em paz.
Que o nome seja dado , com dor ou não."
20/06/09
18/06/09
silêncio
complacente
conivente
estridente
entre dentes
comovente
displicente
contundente
simpático
empático
enigmático
gentil
hostil
frio
conivente
estridente
entre dentes
comovente
displicente
contundente
simpático
empático
enigmático
gentil
hostil
frio
31/05/09
olhos que sorriem
pequenas coisas não são
coisas pequenas
pequenos gestos
afasta o terno
Detemos
meios de termos
modos
coisas pequenas
pequenos gestos
Eternos
temer os termosafasta o terno
Detemos
meios de termos
modos
24/05/09
10/04/09
por Bruna Lombardi
Sedução
Dentro de mim mora o animal
indômito e selvagem
que talvez te faça mal
talvez uma faísca
relâmpago no olhar
depressa como um susto
me desmascare o rosto
e de repente deixe exposto
o meu pior
em mim germina
uma força perigosa
que contamina
uma paixão vulgar
que corta o ar e que
nenhum poder domina
explode em mim
uma liberdade que te fascina
sopro de vida
brilho que se descortina
luz que cintila, lantejoula
purpurina
fugaz como um desejo
talvez te mate
talvez te salve
o veneno do meu beijo.
Dentro de mim mora o animal
indômito e selvagem
que talvez te faça mal
talvez uma faísca
relâmpago no olhar
depressa como um susto
me desmascare o rosto
e de repente deixe exposto
o meu pior
em mim germina
uma força perigosa
que contamina
uma paixão vulgar
que corta o ar e que
nenhum poder domina
explode em mim
uma liberdade que te fascina
sopro de vida
brilho que se descortina
luz que cintila, lantejoula
purpurina
fugaz como um desejo
talvez te mate
talvez te salve
o veneno do meu beijo.
20/01/09
?
A arte é a manifestação do que outrora existia sem matéria.
Há pessoas que topam colocar em movimento a flexibilidade do campo imaginativo.
Inventam, reconstroem sob o risco de serem taxadas de destrutivas, salientam passagens secretas para desfrutes inimagináveis.
Há pessoas que preferem contemplar quem faça isso. Podem instigar no outro o princípio do movimento descrito acima , mas preferem manter os glúteos fixos num só lugar, como expectadores.
Há pessoas que nem reconhecem o fenômeno. Elas conservam os órgãos do sentido tão rígidos que somente validam objetos e eventos antigos, legendados.
Há tantas dessas pessoas em mim que mal posso me ver.
14/12/08
Vicky Cristina Barcelona
Nunca fui muito fã de Woody Allen. Seu estilo altamente verborrágico costuma me cansar. Demanda demais do raciocínio, esgota sinapses velhas e as novas que surgem diante de sua obra, são logo engolfadas pelas "explicações" psicologizantes no enredo. Mas gosto de alguns de seus filmes, quando ele consegue explorar outros modos relacionais que não as repetições habituais de sua auto-biografia. Foi assim que me senti diante do Vicky... no qual explora algumas possibilidades de Eros se fazer presente, seja por sua negação, seja pelo desespero, seja pela sua fugaz aparição que sempre nos deixa a sensação de que "falta algo". Mesmo quando não falta parece que, ainda assim, a insatisfação diante do "perfeito" prossegue. Quando o triângulo se estabiliza, o ideal romântico se impõe, ilustrado no filme pela "verdade" seguida à risca por Cristina: "Ela não sabia o que queria, mas sabia o que não queria". Esse filme retrata um tanto a emboscada da perfeição amorosa, denunciada por Jurandir Freire no livro "Sem Fraude, Nem Favor - Estudos sobre o Amor Romântico", no qual busca as origens históricas desse engodo em nossa cultura.
Há filmes que retratam; há os que remetem. Woody Allen retrata, conversa. Outras obras de outros autores e diretores me pegam pelas vísceras, sem me perguntarem nada. Prefiro estes.
Há filmes que retratam; há os que remetem. Woody Allen retrata, conversa. Outras obras de outros autores e diretores me pegam pelas vísceras, sem me perguntarem nada. Prefiro estes.
02/12/08
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