24/08/2007

Cervantes num Repente


Lá vai Quixote
carregando sua mente
dentro de um caixote
que o Real desmente.

Dulcinéia ele convida
pra que dancem um xote,
frente ao aceite com vida
responde com enxote.

Se Sancho ali estivesse

sutilmente o aconselharia
tal qual uma prece:
"Cuide bem dessa guria
antes que a trama se disperse
e mergulhe na alegria
que tua jornada desconhece"

Quixote, cansado do presente,
ilusionista do futuro,
ex-guerreiro doente,
um fidalgo maduro,
se colocaria ausente,
num refúgio no escuro,
pra responder ao ente
que o colocou contra o muro.

Responderia a Sancho, então,
o provocador mote:
"Vivo o tempo em expansão
e sei o avesso do meu caixote.
Você pode me ver sem razão,
embora de você eu discorde.
Cá em cima do meu alazão,
de onde avisto o Norte,
sei que acima de toda razão
existe algo que supera a morte
que é a coisa chamada Paixão.
Ela despoja o ser da sorte
de ter suas armas em mãos,
sob a promessa sem corte
que preserve o coração.
A realidade, Sancho, pode
indicar que a situação
exige suspender o galope
e "cair do cavalo"
pra manter minha ilusão."

2 comentários:

Bia Helena disse...

adoreeeeei...

esse poema parece ser mto dificil de fazer rimando o poema e deixando-o com um sintido!

mtoo legal vou ver seu blogger inteiro!

bjoos bia

maxakali disse...

Descule, mas essa é PUBLICAMENTE pra Bia: Você é maravilhosa! Dom Quixote adoraria te conhecer!